terça-feira, 30 de setembro de 2008
Assembléia Comunitária hoje na UFF
Hoje teremos mais uma Assembléia Comunitária no ICHF ( Instituto de Ciências Humanas e Filosofia ). Eu e mais duas pessoas fizemos passagens em sala de manhã para chamar estudantes e professores para essa assembléia que deve tomar uma posição em relação ao seminário que o Colegiado aprovou para os dias 6 e 7 de outubro. Será o momento de mais uma vez colocar as diferentes posições sobre qual o objetivo final das pessoas que se fazem presentes nessas assembléias. Eu não tenho dúvidas que muitos querem acabar com o movimento que se iniciou com a decisão da Assembléia dos Estudantes do ICHF de fazer um piquete contra a decisão do Colegiado do instituto em decidir às portas fechadas o futuro de mais de 2000 estudantes, sem que estes fossem ouvidos. Será uma luta muito dura e que vai continuar após uma outra reunião que teve ontem à noite e que decidiu uma data para a Assembléia Comunitária do Gragoatá. Enfim, essa luta se dá, principalmente, no campo da consciência, colocar em debate que tipo de universidade e de sociedade as pessoas querem e se estão dispostas a lutar por isso. Disputar consciências, politizar o debate sobre o tipo de universidade e sociedade que se quer construir é o principal objetivo dos que não vão se limitar a pretensas "vitórias" no campo institucional e burocrático. Esse é o nosso objetivo nessa assembléia e é para isso que estaremos lá.
Texto antigo
Esse é um texto escrito no final do ano passado por Rafael Viana, um militante da FARJ ( Federação Anarquista do Rio de Janeiro ). O texto foi escrito por conta da indignação do Rafael pela maneira como a Rede Globo tratou a questão das ocupações de reitorias e o Movimento dos Sem-Teto na novela Duas Caras, em exibição na época. Estou reproduzindo esse texto aqui com muito atraso, mas a ocasião não deixa de ser oportuna por conta de todos os acontecimentos que vem ocorrendo aqui na UFF, na UERJ e na UNIFESP, bem como em outras universidades pelo país.
O MOVIMENTO ESTUDANTIL E O
MOVIMENTO SEM-TETO
SEGUNDO A REDE GLOBO, AMÉM!
Por Rafael Viana
Ninguém em sã consciência ou com o mínimo espírito crítico guarda alguma dúvida acerca da manipulação grosseira realizada pela Rede Globo utilizando seus meios de comunicação. Muito menos de sua relação excusa com as elites privadas e os grandes interesses do capital financeiro. Ninguém tem mais dúvida sobre seu papel infame na ditadura militar, seu ataque sistemático aos movimento sociais, sua função ideologizadora e mantenedora da ordem burguesa na sociedade brasileira, que legitima a exploração, a miséria, a desigualdade social oriunda da sociedade de classes; contudo no dia 07 de novembro a Rede Globo deu um passo a mais em todo este processo infame, mostrando-se sempre atenta com os acontecimentos sociais e desejosa por fazer valer sua versão dos fatos, a Rede Globo resolve atacar o movimento sem-teto e o movimento estudantil por meio de seus infelizes meios de distribuição de mentiras: as novelas.
Quem teve o azar de acompanhar os dois últimos capítulos da novela das oito(no meu caso um eventual esbarrão que me aguçou a tentar entender melhor a finalidade ideológica daquela mixórdia fictícia) intitulada "Duas Caras", pôde ver a opinião ideológica da Rede Globo aflorar de maneira mais nítida. Além de ter como cerne principal uma comunidade, cuja origem era uma ocupação, onde seu líder é interpretado por Antônio Fagundes, um caudilho autoritário, uma espécie de miliciano que impõe a lei e a ordem na favela a partir de uma associação de moradores submetida aos seus desmandos autoritários. A novela ainda tem a cara de pau de confeccionar um retrato dessas comunidades a partir de sua ótica pervertida, burguesa, elitizada, fomentadora de estereótipos baratos.
Podemos ver claramente a dicotomia artificializada pela vênus platinada, enquanto os trabalhadores da comunidade fictícia apenas estão envolvidos com pequenas e irrelevantes discussões de senso comum
e não muito ocupados com ofícios laboriosos, os ricos e poderosos estão envolvidos com negócios, dedicando-se exclusivamente ao árduo trabalho diário de gerirem empresas e administrarem negócios. É o mito do rico "trabalhador" e do pobre que é pobre pois não se esforçou suficientemente para sair desta condição.
Mais a cena mais polêmica, é a que estudantes de uma universidade particular, cuja reitora e dona é interpretada pela atriz Suzana Vieira, resolvem realizar um protesto em frente a universidade. Diante do protesto, a personagem "Branca" interpretada por Suzana Vieira pergunta a um dos estudantes quem é o líder do protesto, da baderna. Este relata que é o coletivo, a qual a personagem irônicamente responde que na verdade "Alguma liderança por trás que decide tudo por esse coletivo, sei muito bem como é...". É claro, jamais a globo entenderá nenhum mecanismo de decisões coletivas, afinal a globo e seus asseclas só conseguem pensar hierárquicamente.
Interessante comentar o personagem do chamado "líder estudantil", um ator negro, que se caracteriza por usar roupas despojadas, camisa vermelha e ao contrário da placidez racional da personagem interpretada por Suzana Vieira, a "Branca"(branca, anglo-saxã, rica) transparece impulsividade e emoções a flor da pele. É inconsequente e agressivo. Requer lembrar também que a personagem "Branca" é uma das personagens centrais da trama. Os núcleos ricos nas novelas globais sempre existiram, a idéia é fazer com que nos identifiquemos com o discurso burguês desses personagens, mocinhos e vilões.
Uma das partes mais interessantes é quando os estudantes resolvem ocupar a universidade. Estes invadem a universidade, quebram vidros, rasgam livros(???), causando a maior destruição possível. É claro que a Rede Globo, apesar de não ter noticiado uma única notícia relevante sobre as ocupações das reitorias pelos estudantes contra o maldito projeto do Governo, o temível REUNI que privatiza as universidades públicas em detrimento da iniciativa privada, resolve agora se posicionar em relação às ocupações das reitorias. Posicionar-se não, pois quem o faz, faz publicamente e com transparência. No caso da Rede Globo, o objetivo é criar uma falsa representação da realidade, dizendo que as ocupações das reitorias na verdade são atos de vandalismo, de baderna, que os estudantes são bárbaros sem objetivos que destróem o patrimônio das universidades.
Imagine um trabalhador ou trabalhadora que resolva assistir este capítulo, depara-se além de estudantes saídos de algum filme de ficção científica de mau gosto, com a imagem deturpada da Globo sobre os movimentos de ocupação Urbana e os movimentos social em geral. Enquanto isto, a dona da faculdade, pede à um de seus advogados que chame a polícia, este responde que esta é uma atitude que poderá ser vista como antidemocrática, de resquícios da época da ditadura a qual a personagem responde: "Esses movimentos se aproveitam das liberdades da democracia para serem anti-democráticos."
Olhando assim há até quem acredite que a Globo é o último bastião de defesa da democracia. Entidade que cresceu sob as asas da ditadura, manipulava e censurava notícias antes mesmo da atuação dos órgãos de censura da época, cumprindo muito bem seu papel de classe, exemplarmente, a ponto de no Editorial do Jornal "O Globo" de 7 de outubro de 1984, Roberto Marinho elogiar o golpe militar de 64 e se posicionar contra a campanha pelas eleições diretas para a Presidência da República
Quanto a presença do fictício MSC ( Movimento dos Sem-Casa ), na ocupação da reitoria a personagem de Suzana Vieira solta a seguinte pérola: "Eles deveriam estar trabalhando" diz Branca. É a opinião da Rede Globo sobre o movimento social. O trabalhador bom para a Rede Globo, é o que trabalha de segunda a sexta, e jamais reivindica seus direitos, quando o faz, deve fazer sempre dentro das estruturas do Estado Burguês. Quanto ao fictício MSC, que nada mais é do que a representação esdrúxula do movimento sem-teto e de ocupações urbanas na novela, a personagem emite a seguinte opinião: "Eles não são estudantes, não pagam nossa universidade, não fizeram vestibular, o que estão fazendo aqui?".
A solidariedade entre os diferentes participantes do movimento social não deve existir segundo a Rede Globo, cuja visão individualista burguesa do "cada um correndo atrás do seu" prevalece como agente
principal em seu discurso. Trabalhadores e estudantes não podem estar juntos numa mesma luta, jamais!
Há inúmera pérolas a serem mencionadas, das quais podemos traduzir ideológicamente de maneira clara:
"Vamos deixar o MSC na frente que eles tem mais experiência, diz o personagem do militante estudantil referindo=se a resistência frente a polícia". Tradução: Militantes sem-teto tem experiência em enfrentamentos com a polícia e são violentos. "Não são eles mesmo que dizem que os fins justificam os meios?", diz Branca, então que a polícia faça alguma coisa!" Tradução: Reprimir estudantes e trabalhadores de forma violenta se justifica pelo objetivo final que é o de conseguir a paz diante da invasão de propriedade privada.
Depois de diversas pérolas, há ainda, além da tentativa de deturpar o presente, fazer o mesmo com o passado. Uma coadjuvante, em meio ao enfrentamento dos estudantes, solta a seguinte pérola final: "Até
parece 1968”, diz outra personagem, referindo-se ao movimento anti-autoritário e revolucionário dos estudantes e trabalhadores franceses no Maio de 1968 na França, que questionou duramente a democracia burguesa, o capitalismo e outros valores e instituições conservadoras à época.
Poderia-se dizer muito mais acerca dessa obra de ficção, que deseja não apenas entreter, mas exercitar o domínio ideológico, estabelecer e dar a última visão acerca da realidade. Cunhar valores, embutir
regras, naturalizar o que não pode ser naturalizado: desigualdades sociais, relações de classes, luxo, miséria, conformismo, etc. Reparem nos personagens da Globo, a riqueza é sempre vista como um incômodo, se não me engano é da mesma novela a afirmação de uma personagem vivida por Marília Gabriela, de que a riqueza pode trazer a desgraça. O pobre perfeito da Rede Globo é o pobre da novela, o que trabalha e vive feliz, está sempre bem humorado, enquanto a riqueza dos chamados núcleos de ricos das novelas da globo estão sempre envolvidos em tramóias, chantagens, conspirações, onde tudo acaba em assassinato ou loucura. O empregado dos ricos e milionários das novelas globais, é sempre feliz, submisso ao patrão e fiel à ideologia burguesa. A novela de opostos que a Rede Globo permite mostrar, nada mais é do que a visão elitista e burguesa de seu autor, alinhado com o discurso oficial da platinada, sobre assuntos como movimento estudantil, ocupações urbanas, comunidades, questões de gênero. Nenhum discurso é neutro, todo discurso está situado históricamente e ideológicamente. A Rede Globo nada mais faz do que propagar e reforçar estereótipos baratos, cunhar mentiras, propagar inverdades! Mas NÓS sabemos! NÓS, estudantes, trabalhadores, trabalhadoras, sem-teto, unidos no horizonte da mesma luta, que o MOVIMENTO SOCIAL não é ESTE movimento social que a Rede Globo quer representar!!! NÓS sabemos que um dia este mar de mentiras que inunda o coração de nossos irmãos, este veneno escorrido pela mais escroque representante do capital assassino irá sucumbir diante da JUSTIÇA da classe trabalhadora!!! E neste dia não haverão nem novelas, nem atores medíocres para proteger a Rede Globo!!! Parafraseando o anarquista peruano Manuel González Prada nós não somos a inundação da barbárie como quer descrever a Rede Globo, nós somos o dilúvio da justiça!!! E SEREMOS!!!!
Rafael não assiste novelas, mas ocasionalmente esbarra com representações ideológicas que não podem ser esquecidas e merecem ficarem registradas.
O MOVIMENTO ESTUDANTIL E O
MOVIMENTO SEM-TETO
SEGUNDO A REDE GLOBO, AMÉM!
Por Rafael Viana
Ninguém em sã consciência ou com o mínimo espírito crítico guarda alguma dúvida acerca da manipulação grosseira realizada pela Rede Globo utilizando seus meios de comunicação. Muito menos de sua relação excusa com as elites privadas e os grandes interesses do capital financeiro. Ninguém tem mais dúvida sobre seu papel infame na ditadura militar, seu ataque sistemático aos movimento sociais, sua função ideologizadora e mantenedora da ordem burguesa na sociedade brasileira, que legitima a exploração, a miséria, a desigualdade social oriunda da sociedade de classes; contudo no dia 07 de novembro a Rede Globo deu um passo a mais em todo este processo infame, mostrando-se sempre atenta com os acontecimentos sociais e desejosa por fazer valer sua versão dos fatos, a Rede Globo resolve atacar o movimento sem-teto e o movimento estudantil por meio de seus infelizes meios de distribuição de mentiras: as novelas.
Quem teve o azar de acompanhar os dois últimos capítulos da novela das oito(no meu caso um eventual esbarrão que me aguçou a tentar entender melhor a finalidade ideológica daquela mixórdia fictícia) intitulada "Duas Caras", pôde ver a opinião ideológica da Rede Globo aflorar de maneira mais nítida. Além de ter como cerne principal uma comunidade, cuja origem era uma ocupação, onde seu líder é interpretado por Antônio Fagundes, um caudilho autoritário, uma espécie de miliciano que impõe a lei e a ordem na favela a partir de uma associação de moradores submetida aos seus desmandos autoritários. A novela ainda tem a cara de pau de confeccionar um retrato dessas comunidades a partir de sua ótica pervertida, burguesa, elitizada, fomentadora de estereótipos baratos.
Podemos ver claramente a dicotomia artificializada pela vênus platinada, enquanto os trabalhadores da comunidade fictícia apenas estão envolvidos com pequenas e irrelevantes discussões de senso comum
e não muito ocupados com ofícios laboriosos, os ricos e poderosos estão envolvidos com negócios, dedicando-se exclusivamente ao árduo trabalho diário de gerirem empresas e administrarem negócios. É o mito do rico "trabalhador" e do pobre que é pobre pois não se esforçou suficientemente para sair desta condição.
Mais a cena mais polêmica, é a que estudantes de uma universidade particular, cuja reitora e dona é interpretada pela atriz Suzana Vieira, resolvem realizar um protesto em frente a universidade. Diante do protesto, a personagem "Branca" interpretada por Suzana Vieira pergunta a um dos estudantes quem é o líder do protesto, da baderna. Este relata que é o coletivo, a qual a personagem irônicamente responde que na verdade "Alguma liderança por trás que decide tudo por esse coletivo, sei muito bem como é...". É claro, jamais a globo entenderá nenhum mecanismo de decisões coletivas, afinal a globo e seus asseclas só conseguem pensar hierárquicamente.
Interessante comentar o personagem do chamado "líder estudantil", um ator negro, que se caracteriza por usar roupas despojadas, camisa vermelha e ao contrário da placidez racional da personagem interpretada por Suzana Vieira, a "Branca"(branca, anglo-saxã, rica) transparece impulsividade e emoções a flor da pele. É inconsequente e agressivo. Requer lembrar também que a personagem "Branca" é uma das personagens centrais da trama. Os núcleos ricos nas novelas globais sempre existiram, a idéia é fazer com que nos identifiquemos com o discurso burguês desses personagens, mocinhos e vilões.
Uma das partes mais interessantes é quando os estudantes resolvem ocupar a universidade. Estes invadem a universidade, quebram vidros, rasgam livros(???), causando a maior destruição possível. É claro que a Rede Globo, apesar de não ter noticiado uma única notícia relevante sobre as ocupações das reitorias pelos estudantes contra o maldito projeto do Governo, o temível REUNI que privatiza as universidades públicas em detrimento da iniciativa privada, resolve agora se posicionar em relação às ocupações das reitorias. Posicionar-se não, pois quem o faz, faz publicamente e com transparência. No caso da Rede Globo, o objetivo é criar uma falsa representação da realidade, dizendo que as ocupações das reitorias na verdade são atos de vandalismo, de baderna, que os estudantes são bárbaros sem objetivos que destróem o patrimônio das universidades.
Imagine um trabalhador ou trabalhadora que resolva assistir este capítulo, depara-se além de estudantes saídos de algum filme de ficção científica de mau gosto, com a imagem deturpada da Globo sobre os movimentos de ocupação Urbana e os movimentos social em geral. Enquanto isto, a dona da faculdade, pede à um de seus advogados que chame a polícia, este responde que esta é uma atitude que poderá ser vista como antidemocrática, de resquícios da época da ditadura a qual a personagem responde: "Esses movimentos se aproveitam das liberdades da democracia para serem anti-democráticos."
Olhando assim há até quem acredite que a Globo é o último bastião de defesa da democracia. Entidade que cresceu sob as asas da ditadura, manipulava e censurava notícias antes mesmo da atuação dos órgãos de censura da época, cumprindo muito bem seu papel de classe, exemplarmente, a ponto de no Editorial do Jornal "O Globo" de 7 de outubro de 1984, Roberto Marinho elogiar o golpe militar de 64 e se posicionar contra a campanha pelas eleições diretas para a Presidência da República
Quanto a presença do fictício MSC ( Movimento dos Sem-Casa ), na ocupação da reitoria a personagem de Suzana Vieira solta a seguinte pérola: "Eles deveriam estar trabalhando" diz Branca. É a opinião da Rede Globo sobre o movimento social. O trabalhador bom para a Rede Globo, é o que trabalha de segunda a sexta, e jamais reivindica seus direitos, quando o faz, deve fazer sempre dentro das estruturas do Estado Burguês. Quanto ao fictício MSC, que nada mais é do que a representação esdrúxula do movimento sem-teto e de ocupações urbanas na novela, a personagem emite a seguinte opinião: "Eles não são estudantes, não pagam nossa universidade, não fizeram vestibular, o que estão fazendo aqui?".
A solidariedade entre os diferentes participantes do movimento social não deve existir segundo a Rede Globo, cuja visão individualista burguesa do "cada um correndo atrás do seu" prevalece como agente
principal em seu discurso. Trabalhadores e estudantes não podem estar juntos numa mesma luta, jamais!
Há inúmera pérolas a serem mencionadas, das quais podemos traduzir ideológicamente de maneira clara:
"Vamos deixar o MSC na frente que eles tem mais experiência, diz o personagem do militante estudantil referindo=se a resistência frente a polícia". Tradução: Militantes sem-teto tem experiência em enfrentamentos com a polícia e são violentos. "Não são eles mesmo que dizem que os fins justificam os meios?", diz Branca, então que a polícia faça alguma coisa!" Tradução: Reprimir estudantes e trabalhadores de forma violenta se justifica pelo objetivo final que é o de conseguir a paz diante da invasão de propriedade privada.
Depois de diversas pérolas, há ainda, além da tentativa de deturpar o presente, fazer o mesmo com o passado. Uma coadjuvante, em meio ao enfrentamento dos estudantes, solta a seguinte pérola final: "Até
parece 1968”, diz outra personagem, referindo-se ao movimento anti-autoritário e revolucionário dos estudantes e trabalhadores franceses no Maio de 1968 na França, que questionou duramente a democracia burguesa, o capitalismo e outros valores e instituições conservadoras à época.
Poderia-se dizer muito mais acerca dessa obra de ficção, que deseja não apenas entreter, mas exercitar o domínio ideológico, estabelecer e dar a última visão acerca da realidade. Cunhar valores, embutir
regras, naturalizar o que não pode ser naturalizado: desigualdades sociais, relações de classes, luxo, miséria, conformismo, etc. Reparem nos personagens da Globo, a riqueza é sempre vista como um incômodo, se não me engano é da mesma novela a afirmação de uma personagem vivida por Marília Gabriela, de que a riqueza pode trazer a desgraça. O pobre perfeito da Rede Globo é o pobre da novela, o que trabalha e vive feliz, está sempre bem humorado, enquanto a riqueza dos chamados núcleos de ricos das novelas da globo estão sempre envolvidos em tramóias, chantagens, conspirações, onde tudo acaba em assassinato ou loucura. O empregado dos ricos e milionários das novelas globais, é sempre feliz, submisso ao patrão e fiel à ideologia burguesa. A novela de opostos que a Rede Globo permite mostrar, nada mais é do que a visão elitista e burguesa de seu autor, alinhado com o discurso oficial da platinada, sobre assuntos como movimento estudantil, ocupações urbanas, comunidades, questões de gênero. Nenhum discurso é neutro, todo discurso está situado históricamente e ideológicamente. A Rede Globo nada mais faz do que propagar e reforçar estereótipos baratos, cunhar mentiras, propagar inverdades! Mas NÓS sabemos! NÓS, estudantes, trabalhadores, trabalhadoras, sem-teto, unidos no horizonte da mesma luta, que o MOVIMENTO SOCIAL não é ESTE movimento social que a Rede Globo quer representar!!! NÓS sabemos que um dia este mar de mentiras que inunda o coração de nossos irmãos, este veneno escorrido pela mais escroque representante do capital assassino irá sucumbir diante da JUSTIÇA da classe trabalhadora!!! E neste dia não haverão nem novelas, nem atores medíocres para proteger a Rede Globo!!! Parafraseando o anarquista peruano Manuel González Prada nós não somos a inundação da barbárie como quer descrever a Rede Globo, nós somos o dilúvio da justiça!!! E SEREMOS!!!!
Rafael não assiste novelas, mas ocasionalmente esbarra com representações ideológicas que não podem ser esquecidas e merecem ficarem registradas.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Uma nova semana de lutas
Hoje de manhã participei de um passagem em sala e de uma panfletagem no ICHF ( Instituto de Ciências Humanas e Filosofia ). Trata-se de mais um passo na luta pela construção da Assembléia Comunitária aqui na UFF. Depois dos acontecimentos no Colegiado do instituto na última sexta-feira tivemos que convocar mais essa assembléia para manter viva a luta contra esse modelo de universidade verticalizado e hierarquico que muitos insistem em manter. A maneira como se deu o último colegiado, não só em relação a atuação dos professores, mas também a partir das posturas de muitos estudantes já mostra que essa luta tem dimensões muito diferenciadas. A luta pela construção da Assembléia Comunitária mostra que para muitas pessoas trata-se de uma questão pontual do ICHF e não deve ser espraiada. Eu faço parte de um movimento político, o Acampamento Maria Júlia Braga: O Quilombo do Século XXI, que defende a Assembléia Comunitária como parte de um processo de contestação do modelo de universidade que temos e que desemboca no próprio modelo de sociedade existente. Existem outros que não fazem parte do acampamento, como os integrantes da ADE ( Ação Direta Estudantil ), bem como pessoas que não fazem parte de nenhum grupo ou movimento político específico, mas que tem referenciais políticos e ideológicos semelhantes, e que comungam dessa mesma idéia. No entanto, existem grupos e pessoas que tem a idéia dessa assembléia como parte de um processo de negociação com os poderes institucionais do instituto, uma ação tática em que concessões seriam feitas em troca do que seria chamado de "avanços". Esses avanços seriam inicialmente barrar o curso de Segurança Pública, mas agora, pelo que se lê na lista de e-mails do curso de História, já há quem diga "estar refletindo melhor" sobre a sua posição contrária. Já se fala em disputar o curso de Segurança Pública, na possibilidade de uma "polícia mais humana". Na verdade, é a boa e velha pelegagem de volta, tudo isso em nome de um taticismo que virou a religião desses grupos políticos que chamo de Burocracia Estudantil. A assembléia de amanhã terá que pôr essas questões em pratos limpos para que ninguém fique escondendo as suas ações por trás de discursos pretensamente de esquerda e práticas absurdamente pelêgas.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
A luta na UFF continua
Daqui a pouco vai haver uma nova reunião do colegiado do ICHF ( Instituto de Ciências Humanas e Filosofia ), mais uma vez vamos observar como se processam as relações de poder em nossa sociedade. O Colegiado do nosso instituto é um micro-cosmo de como essas relações se processam e os filmes que fizemos mostram bem isso. Essa luta que está sendo travada pelos estudantes, e que tem diversos graus de entendimento, serve para mostrar como as relações de poder hierarquizadas e verticalizadas se dão e como acabam condicionando até mesmo aquele que, no plano das idéias, defendem teses que vão contra essas mesmas relações, mas que na hora H acabam legitimando. Essa é uma luta contra toda uma estrutura de poder que existe na universidade e reflete o que já existe na sociedade, mas não é uma luta que está restrita à UFF. Esse manifesto que vou postar logo abaixo mostra isso. Na minha próxima postagem eu vou relatar o que aconteceu na reunião do Colegiado que vai acontecer daqui a pouco.
MOÇÃO DE APOIO AS UNIVERSIDADES MOBILIZADAS
Por Acampados na Vila Fora Consu 19/09/2008 às 00:38
Isso não é apenas uma moção de apoio, mas um chamado à luta unificada pela total reestruturação do poder na universidade.
Os estudantes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) estão acampados na frente da reitoria, reivindicando principalmente a participação efetiva dos estudantes nos órgão de deliberação da universidade, com o intuito de transformar esta, que está falida e não produz mais conhecimento útil para o desenvolvimento da humanidade, atendendo apenas a uma lógica de mercado que só visa obter lucro para a classe burguesa. Isso fica muito claro se observarmos a quantidade de capital privado que é ?injetado? nas pesquisas das universidades, como se fossem investimentos em bolsas de valores. Enquanto isso, as salas de aulas das estão caindo aos pedaços, há falta de professores e não existe assistência estudantil de verdade.
Por isso apoiamos a luta dos companheiros da UERJ, UFSJ, Uncisal, Unir, UFF, UENF, por entendermos que é preciso construir a unidade na luta do movimento estudantil para reivindicarmos a proporcionalidade nos órgão de deliberação da universidade, pois somente os estudantes, que são os menos atrelados à burocracia universitária, ao lado dos trabalhadores em defesa do poder popular, podem enfim mudar os rumos da universidade.
A proporcionalidade (governo tripartite) é o autogoverno proporcional aos três setores que compõe a universidade: professores funcionários e estudantes. Esta proposta garante representação real da base que compõe a comunidade acadêmica. Diferentemente da paridade, que não passa de uma farsa mascarada de democracia. A paridade mantém a eleição e a lista tríplice, além disso, o voto de estudantes e funcionários continua valendo menos do que o dos docentes. Isso porque o calculo é feito em cima do total de integrantes de cada segmento, portanto na universidade, onde a maioria é de estudantes, a porcentagem que lhe é referida é dividida em muito mais membros, fragmentando o peso do voto.
Chamamos a todos a levar a discussão da estrutura de poder na universidade, atualmente imposta pelo governo e que é o principal gerador dos problemas apresentados, como a falta de assistência estudantil, professores, infra-estrutura e o autoritarismo dos docentes, entre outras coisas.
Acampados Vila fora CONSU, Unifesp ? São Paulo, 15 de setembro de 2008.
MOÇÃO DE APOIO AS UNIVERSIDADES MOBILIZADAS
Por Acampados na Vila Fora Consu 19/09/2008 às 00:38
Isso não é apenas uma moção de apoio, mas um chamado à luta unificada pela total reestruturação do poder na universidade.
Os estudantes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) estão acampados na frente da reitoria, reivindicando principalmente a participação efetiva dos estudantes nos órgão de deliberação da universidade, com o intuito de transformar esta, que está falida e não produz mais conhecimento útil para o desenvolvimento da humanidade, atendendo apenas a uma lógica de mercado que só visa obter lucro para a classe burguesa. Isso fica muito claro se observarmos a quantidade de capital privado que é ?injetado? nas pesquisas das universidades, como se fossem investimentos em bolsas de valores. Enquanto isso, as salas de aulas das estão caindo aos pedaços, há falta de professores e não existe assistência estudantil de verdade.
Por isso apoiamos a luta dos companheiros da UERJ, UFSJ, Uncisal, Unir, UFF, UENF, por entendermos que é preciso construir a unidade na luta do movimento estudantil para reivindicarmos a proporcionalidade nos órgão de deliberação da universidade, pois somente os estudantes, que são os menos atrelados à burocracia universitária, ao lado dos trabalhadores em defesa do poder popular, podem enfim mudar os rumos da universidade.
A proporcionalidade (governo tripartite) é o autogoverno proporcional aos três setores que compõe a universidade: professores funcionários e estudantes. Esta proposta garante representação real da base que compõe a comunidade acadêmica. Diferentemente da paridade, que não passa de uma farsa mascarada de democracia. A paridade mantém a eleição e a lista tríplice, além disso, o voto de estudantes e funcionários continua valendo menos do que o dos docentes. Isso porque o calculo é feito em cima do total de integrantes de cada segmento, portanto na universidade, onde a maioria é de estudantes, a porcentagem que lhe é referida é dividida em muito mais membros, fragmentando o peso do voto.
Chamamos a todos a levar a discussão da estrutura de poder na universidade, atualmente imposta pelo governo e que é o principal gerador dos problemas apresentados, como a falta de assistência estudantil, professores, infra-estrutura e o autoritarismo dos docentes, entre outras coisas.
Acampados Vila fora CONSU, Unifesp ? São Paulo, 15 de setembro de 2008.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Assembléia de ontem no ICHF
Ontem teve uma nova Assembléia Comunitária no ICHF ( Instituto de Ciências Humanas e Filosofia ). Por conta do que aconteceu no colegiado do dia anterior nós tivemos que confrontar as falas da UJS ( União da Juventude Socialista ), ligada ao PCdoB, por sua tentativa de corroborar a ação dos professores no colegiado, dizendo em passagens de sala que nós implodimos o colegiado, tentaram criminalizar o Acampamento em especial por isso. É claro que a UJS está agindo como correia de transmissão da direção do instituto, mas o pior mesmo é constatar que até entre os que estão na luta contra o REUNI e a maneira como o projeto de expansão está sendo conduzido no ICHF, existe uma clara tendência em conseguir um acordo com o Palharini, diretor do ICHF. A verdade é que existem projetos diferenciados entre os que estão bancando essa luta política. Nós do Acampamento Maria Júlia Braga: O Quilombo do Século XXI e a ADE ( Ação Direta Estudantil ), além de outros que não se referenciam por nenhum grupo específico, temos um projeto de construção de um Contra-Poder na universidade, que se contraponha a órgãos burocráticos, hierárquicos e verticalizados como o Colegiado do ICHF e o CUV ( Conselho Univeristário ). Esse projeto não é compartilhado por muitos dos que estão conosco nessa luta política pela construção da Assembléia Comunitária, que não deve ser limitada ao ICHF, mas ser espraiada por toda a UFF. Infelizmente muitos segmentos estão limitados ao horizonte de um seminário com votação paritária para definir o projeto de expansão, conseguindo isso e o fim do curso de Segurança Pública, com certeza deixarão que tudo volte ao normal, sem tocar na estrutura de poder da universidade. Entretanto, nós não vamos nos limitar a isso e estamos deixando bem claro esse fato. Na Assembléia de ontem tivemos um confronto com alguns dos integrantes da chapa Ocupação do CAHIS ( Centro Acadêmico de História ) por conta disso, pois fizemos questão de deixar claro a nossa diferença em relação a eles. Foi um debate complicado e com respostas vazias e desonestas, felizmente o nosso costume de filmar as intervenções está se revelando fundamental em nossa luta política, pois isso nos fornece as ferramentas necessária para rebater as críticas que nos fazem. Estamos trabalhando esse material e logo ele vai estar disponível na internet, tornando público todos os embates políticos que estão ocorrendo na UFF, bem como as posições assumidas por todas as pessoas e grupos políticos. Essa memória do movimento estudantil que estamos construíndo será muito importante para que vier no futuro, principalmente porque agora as outras pessoa estão vendo a importância disso e estão filmando também. No futuro as pessoas vão ver o que aconteceu, ter acesso às várias versões e poderão decidir quem estava ou não com a razão, poderão decidir com quem se identificar e ter como parâmentro para os seus próprios embates.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Notícias sobre a ocupação da UERJ
Extraído do site: http://g1.globo.com
21/09/08 - 19h24 - Atualizado em 22/09/08 - 10h11
ALUNO QUE OCUPAM A REITORIA DA UERJ RECLAMAM QUE ESTÃO SEM LUZ
Segundo universidade, desligamento é rotina nos fins de semana. Protesto conta com 60 estudantes e já dura 13 dias.
Estudantes que ocupam desde o dia 10 de setembro a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) reclamaram neste domingo (21) da falta de luz no local. Cerca de 60 alunos, que ainda participam do protesto, estariam no escuro e impossibilitados de cozinhar, já que contam com um fogão elétrico. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, o desligamento da luz em determinadas áreas da universidade faz parte de uma rotina dos fins de semana que não será alterada por causa da invasão.A estudante de Letras Fabiane Simão, de 29 anos, coordenadora do DCE da universidade, reclamou que saiu para comprar pão e foi impedida de retornar à reitoria. Segundo ela, cerca de 60 estudantes ainda participam da ocupação.
“Estamos sem luz e telefone desde as 14h. Saí para comprar pão e não me deixaram entrar, apenas deixaram buscar a comida. Na nossa avaliação eles estão cansando a gente, porque não querem negociar”, disse a estudante.
Segundo a assessoria da universidade, o desligamento de serviços de água e luz aos sábados e domingos faz parte da rotina da Uerj e não foi posto em prática no último fim de semana porque ocorreu o vestibular.
Reivindicações
No último dia 17, a reitoria da Uerj publicou em seu site, a pedido dos alunos, as reivindicações dos estudantes, entre elas a desistência de processos judiciais que envolvem estudantes do DCE, obras no bandejão no campus, transporte interno, alojamento estudantil e creche universitária, abertura de concurso público para professores, entre outros pontos.
Os alunos continuam acampados na universidade aguardando uma reunião com o reitor. A faculdade não tem uma previsão de data para este encontro.
O reitor Ricardo Vieiralves se submeteu a uma cirurgia torácica na última sexta-feira (19) e, segundo a assessoria da universidade, recebeu alta do CTI do Hospital Pedro Ernesto (Hupe) neste domingo, (21).
21/09/08 - 19h24 - Atualizado em 22/09/08 - 10h11
ALUNO QUE OCUPAM A REITORIA DA UERJ RECLAMAM QUE ESTÃO SEM LUZ
Segundo universidade, desligamento é rotina nos fins de semana. Protesto conta com 60 estudantes e já dura 13 dias.
Estudantes que ocupam desde o dia 10 de setembro a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) reclamaram neste domingo (21) da falta de luz no local. Cerca de 60 alunos, que ainda participam do protesto, estariam no escuro e impossibilitados de cozinhar, já que contam com um fogão elétrico. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, o desligamento da luz em determinadas áreas da universidade faz parte de uma rotina dos fins de semana que não será alterada por causa da invasão.A estudante de Letras Fabiane Simão, de 29 anos, coordenadora do DCE da universidade, reclamou que saiu para comprar pão e foi impedida de retornar à reitoria. Segundo ela, cerca de 60 estudantes ainda participam da ocupação.
“Estamos sem luz e telefone desde as 14h. Saí para comprar pão e não me deixaram entrar, apenas deixaram buscar a comida. Na nossa avaliação eles estão cansando a gente, porque não querem negociar”, disse a estudante.
Segundo a assessoria da universidade, o desligamento de serviços de água e luz aos sábados e domingos faz parte da rotina da Uerj e não foi posto em prática no último fim de semana porque ocorreu o vestibular.
Reivindicações
No último dia 17, a reitoria da Uerj publicou em seu site, a pedido dos alunos, as reivindicações dos estudantes, entre elas a desistência de processos judiciais que envolvem estudantes do DCE, obras no bandejão no campus, transporte interno, alojamento estudantil e creche universitária, abertura de concurso público para professores, entre outros pontos.
Os alunos continuam acampados na universidade aguardando uma reunião com o reitor. A faculdade não tem uma previsão de data para este encontro.
O reitor Ricardo Vieiralves se submeteu a uma cirurgia torácica na última sexta-feira (19) e, segundo a assessoria da universidade, recebeu alta do CTI do Hospital Pedro Ernesto (Hupe) neste domingo, (21).
Colegiado implodido
Ontem tivemos a reunião do Colegiado do ICHF que acabou implodindo pela ação dos professores, que não admitiram a filmagem da reunião. Essa filmagem foi feita por nós do Acampamento Maria Júlia Braga: O Quilombo do Século XXI, como parte de nosso objetivo de deixar um registro das lutas políticas ocorridas na UFF durante todo esse tempo em que estivermos envolvidos nela. Interessante é que somos praticamente o único movimento político que vem se preocupando em promover o registro histórico desses acontecimentos, pois ninguém mais tinha se preocupado efetivamente com isso. Só agora é que algumas pessoas têm imitado o nosso exemplo, mais ainda muito precariamente. Pretendo falar sobre esse processo de construção de uma memória histórica do movimento estudantil aqui na UFF em outra postagem, nessa eu pretendo me focar sobre o que aconteceu no colegiado. O que se viu ali foi a manifestação mais evidente de um poder institucional que não vai abrir mão de seus privilégios, que se puder vai compactuar com alguns grupos mais recuados a partir de algumas concessões, mas sem jamais abrir mão de seu poder efetivo. Isso ficou bem claro na medida em que se apoiaram numa situação absurda para implodir o colegiado. Alegar constrangimento por conta da filmagem coloca aquelas pessoas numa situação insustentável, pois todas participaram de um colegiado menos de duas semanas antes, num clima bem mais tenso, e não tiveram qualquer problema em serem filmadas. É óbvio que o desejo era implodir a reunião, pois não queriam discutir as decisões tomadas na Assembléia Comunitária da semana anterior e que ia contra a estrutura de poder que estes representam e da qual não querem abdicar. Não tenho a menor dúvida que aquela reunião não ia levar a nada, mesmo a proposta moderada de seminário paritário não contemplava aquele grupo reacionário, que quer manter a estrutura de poder medieval do ICHF. Hoje vamos ter uma nova Assembléia Comunitária no ICHF, amanhã vai ser no Serviço Social. É uma pena que tenhamos duas numa mesma semana, uma de certa forma vai estar enfraquecendo a outra, por isso mesmo, nós do Acampamento e alguns grupos políticos, além de indivíduos que tem um referencial político semelhante, iremos pautar a construção de uma Assembléia Comunitária da UFF, pois só unificando as lutas de todos os que desejam, não apenas barrar o REUNI, mas se dedicar à construção de um novo modelo de universidade e sociedade, é que vamos nos contrapor a esse projeto de universidade e sociedade que nos está sendo imposto.
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