sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Debate eleitoral na UFF
Ontem ocorreu o primeiro e único debate que ocorreu nas eleições do DCE-UFF esse ano. Infelizmente o que se viu foi a continuidade do processo de completa despolitização do debate nessas eleições. O debate começou com mais de uma hora de atraso e suas regras foram feitas para impedir qualquer aprofundamento de discussões. Foram dois blocos: o primeiro com cada chapa tendo 10 minutos para falar sobre a razão de estar participando da eleição e o segundo com um bloco de dez perguntas a serem respondidas nas considerações finais de cada chapa, mais dez minutos de fala para cada uma. Tratou-se de um debate esvaziado, o que mostra também o completo desinteresse dos estudantes com o processo político. Isso não quer dizer que muitos não votem nos dias da eleição, mas será um voto apressado e irrefletido, um voto de quem não se responsabiliza com o processo político, na verdade, um voto de quem não está minimamente preocupado com ele, preferindo deixar que algumas pessoas assumam um protagonismo político que deveria ser dele estudante. Não dá para dizer que isso seja fruto do maquiavelismo dos grupos políticos que se beneficiam com esse processo político despolitizante, não dá para deixar de estabelecer a responsabilidade de quem se omite do processo, qualquer que seja a sua razão. Infelizmente vamos ter a mais despolitizada eleição da história do DCE da UFF.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Capital Cultural
Extraído do site: http://br.noticias.yahoo.com
FAMÍLIA É RESPONSÁVEL POR 70% DO DESEMPENHO ESCOLAR
O contexto familiar é responsável por 70% do desempenho escolar de um estudante, restando à escola e suas condições interferir, positiva ou negativamente, nos 30% restantes. A conclusão surgiu de uma revisão da literatura sobre desempenho escolar existente no Brasil realizada pela Fundação Itaú Social. O objetivo do trabalho foi orientar gestores a definir políticas públicas na área, tendo como base as evidências que aparecem nas pesquisas acadêmicas, esclarecendo resultados que, isolados, são muitas vezes conflitantes.
"Todas as pesquisas analisadas, nacionais e internacionais, mostram que a maior parte do desempenho escolar é explicada pelas características familiares do aluno. A educação é realmente um bem transmitido de geração para geração, tanto a boa quanto a má educação", explica Fabiana de Felício, responsável pelo estudo no Itaú Social e consultora do Ministério da Educação (MEC). "São fatores principais o nível de escolaridade do pai e da mãe, a renda familiar, o tipo de moradia e o acesso a bens culturais. Todo o resto acaba sendo derivado disso."
Segundo a pesquisadora, os levantamentos - feitos tendo como parâmetro os resultados em avaliações nacionais do MEC e os índices de aprovação e evasão - mostram que o aluno já chega à escola com diferenças que fazem com que ele tenha resultados maiores ou menores. Ou seja, sua condição e estrutura familiar já o colocam em vantagem ou desvantagem desde o início do ensino fundamental. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
COMENTO: Uma das primeiras leituras que me influenciaram de verdade na universidade foi a de um sociólogo francês chamado Pierre Bourdieu. Até hoje me lembro bem da enorme dificuldade que eu tive no meu primeiro contato com este autor. Hoje em dia eu sempre procuro ler algum texto de Bourdieu, pois este me ajudou a entender os vários aspectos das minhas dificuldade em lidar com autores com quem só vim travar contato na universidade. O seu conceito de "Capital Cultural" me ajudou a entender muitas dessas dificuldades e a superá-las. Essa reportagem deixa bem claro como o Capital Cultural de alguém é muito importante para superar as dificuldades de ser bem sucedido na universidade. Para pessoas que vem de uma origem proletária como eu, cujos pais não puderam me ajudar nas questões escolares, pois estes mal tinham completado o que hoje é chamado de Ensino Fundamental, travar conhecimeto com os textos de Bourdieu é fundamental para não se deixar levar por explicações simplistas e liberais sobre a incapacidade de alguns em lidar com as dificuldades escolares. A questão do "meritocracia" torna-se bem menos simplificada quando se percebe as enormes diferenças que separam os que tiveram a possibilidade de contar com todo um ambiente familiar que lhes permitiu acesso a bens culturais que só na universidade pessoas como eu puderam descobrir. Essa reportagem acaba confirmando as teorias desenvolvidas por Bourdieu desde os anos 1960, teorias que estavam marcadas pelo ambiente em que ele estava inserido, o contexto escolar francês, mas que podem nos ajudar também em nosso contexto escolar brasileiro do início do século XXI.
FAMÍLIA É RESPONSÁVEL POR 70% DO DESEMPENHO ESCOLAR
O contexto familiar é responsável por 70% do desempenho escolar de um estudante, restando à escola e suas condições interferir, positiva ou negativamente, nos 30% restantes. A conclusão surgiu de uma revisão da literatura sobre desempenho escolar existente no Brasil realizada pela Fundação Itaú Social. O objetivo do trabalho foi orientar gestores a definir políticas públicas na área, tendo como base as evidências que aparecem nas pesquisas acadêmicas, esclarecendo resultados que, isolados, são muitas vezes conflitantes.
"Todas as pesquisas analisadas, nacionais e internacionais, mostram que a maior parte do desempenho escolar é explicada pelas características familiares do aluno. A educação é realmente um bem transmitido de geração para geração, tanto a boa quanto a má educação", explica Fabiana de Felício, responsável pelo estudo no Itaú Social e consultora do Ministério da Educação (MEC). "São fatores principais o nível de escolaridade do pai e da mãe, a renda familiar, o tipo de moradia e o acesso a bens culturais. Todo o resto acaba sendo derivado disso."
Segundo a pesquisadora, os levantamentos - feitos tendo como parâmetro os resultados em avaliações nacionais do MEC e os índices de aprovação e evasão - mostram que o aluno já chega à escola com diferenças que fazem com que ele tenha resultados maiores ou menores. Ou seja, sua condição e estrutura familiar já o colocam em vantagem ou desvantagem desde o início do ensino fundamental. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
COMENTO: Uma das primeiras leituras que me influenciaram de verdade na universidade foi a de um sociólogo francês chamado Pierre Bourdieu. Até hoje me lembro bem da enorme dificuldade que eu tive no meu primeiro contato com este autor. Hoje em dia eu sempre procuro ler algum texto de Bourdieu, pois este me ajudou a entender os vários aspectos das minhas dificuldade em lidar com autores com quem só vim travar contato na universidade. O seu conceito de "Capital Cultural" me ajudou a entender muitas dessas dificuldades e a superá-las. Essa reportagem deixa bem claro como o Capital Cultural de alguém é muito importante para superar as dificuldades de ser bem sucedido na universidade. Para pessoas que vem de uma origem proletária como eu, cujos pais não puderam me ajudar nas questões escolares, pois estes mal tinham completado o que hoje é chamado de Ensino Fundamental, travar conhecimeto com os textos de Bourdieu é fundamental para não se deixar levar por explicações simplistas e liberais sobre a incapacidade de alguns em lidar com as dificuldades escolares. A questão do "meritocracia" torna-se bem menos simplificada quando se percebe as enormes diferenças que separam os que tiveram a possibilidade de contar com todo um ambiente familiar que lhes permitiu acesso a bens culturais que só na universidade pessoas como eu puderam descobrir. Essa reportagem acaba confirmando as teorias desenvolvidas por Bourdieu desde os anos 1960, teorias que estavam marcadas pelo ambiente em que ele estava inserido, o contexto escolar francês, mas que podem nos ajudar também em nosso contexto escolar brasileiro do início do século XXI.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Eleições para o DCE-UFF
As eleições para o DCE-UFF estão transcorrendo de maneira bem precária, o que parece confirmar a estratégia do coletivo "Nós Não Vamos Pagar Nada" em dar um tom totalmente despolitizado ao pleito. Até agora não foi feito nenhum debate, pois as condições para isso não foram garantidas. Na verdade, é preciso ressaltar também a extrema apatia das pessoas. Hoje de manhã eu estive no Instituto de Geo-Ciências com a intenção de participar de um debate que deveria ter ocorrido, mas isso não aconteceu e dessa vez nem dá para acusar o já citado grupo político hegemônico da UFF. A apatia das pessoas é algo muito sério e se reflete também nas eleições burguesas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a abstenção foi de 20%. O grande problema é que a política de quase todos os agrupamentos políticos estudantis nos últimos tempos esteve toda voltada para os aspectos institucionais e eleitorais da luta política dentro da UFF. Os acontecimentos ocorridos durante o mês de mobilizações do ICHF (Instituto de Ciências Humanas e Filosofia) ocorreram com uma participação mínima dos membros das correntes políticas que chamo de Burocracia Estudantil, e quando participaram foi para frear o movimento. O grande problema é que essa apatia pode acabar prejudicando todo mundo. O Paga Nada está apostando na sua capacidade de buscar o voto despolitizado e sair vitorioso dessa eleição, mas pode ter uma surpresa desagradável de ver a sua estratégia voltar-se contra ele mesmo. De nossa parte, nós do acampamento montamos chapa e estamos buscando articular os grupos libertários e que acreditam em projetos de auto-gestão para pautar esse projeto junto aos estudantes, mas não há como negar que a extrema apatia que se está verificando acaba prejudicando quem quer o debate. Hoje à noite, no mesmo Instituto de Geo-Ciências, está marcado um novo debate e outro está marcado para a Faculdade de Educação, justamente o mais esperado de todos, vamos ver se esse processo eleitoral esquenta um pouco mais.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Notícas sobre educação para o negro
Extraído do site: http://noticias.terra.com.br/educacao
CNPq: PROJETO PARA ALUNOS NEGROS É UM DOS VENCEDORES
Depois de participar de um cursinho pré-vestibular no Instituto Cultural Steve Biko que em 1999 recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça Sheila Regina Pereira entrou na Universidade Federal da Bahia para o curso de estatística.
Sheila diz que na universidade percebeu que os jovens negros como ela estavam presentes em cursos de menor prestígio e status social. A partir daí, ela resolveu voltar ao instituto que a ajudou a ingressar no ensino superior para dar sua contribuição e ajudar a mudar essa realidade.
"No instituto eu aprendi que o seu crescimento pessoal só vem quando você ajuda os outros a crescerem também", explica.
Foi então que ela passou a fazer parte do projeto Oguntec, que acompanha 35 estudantes de escolas públicas a partir do momento em que eles entram no ensino médio até o vestibular.
A pesquisa apresentada por Sheila sobre o Oguntec foi a vencedora da categoria Graduado do 23º Prêmio Jovem Cientista, divulgada nesta quarta-feira pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq).
Como coordenadora pedagógica do projeto, Sheila conta que, além das disciplinas escolares cobradas no vestibular, os adolescentes de 16 a 21 anos têm aulas sobre consciência negra e educação científica a fim de despertar o interesse pela ciência e pelos cursos ligados à tecnologia, ciências da saúde.
"No ano passado, terminamos o ano com 25 estudantes, porque muitos foram obrigados a deixar o projeto ao longo do tempo. Mas todos os que permaneceram passaram em vestibulares em universidades particulares. O nosso objetivo agora é fazer com que eles entrem nas universidades públicas. Três deles conseguiram", conta.
Segundo ela, a maior dificuldade é suprir o déficit que os alunos trazem do ensino fundamenta
CNPq: PROJETO PARA ALUNOS NEGROS É UM DOS VENCEDORES
Depois de participar de um cursinho pré-vestibular no Instituto Cultural Steve Biko que em 1999 recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça Sheila Regina Pereira entrou na Universidade Federal da Bahia para o curso de estatística.
Sheila diz que na universidade percebeu que os jovens negros como ela estavam presentes em cursos de menor prestígio e status social. A partir daí, ela resolveu voltar ao instituto que a ajudou a ingressar no ensino superior para dar sua contribuição e ajudar a mudar essa realidade.
"No instituto eu aprendi que o seu crescimento pessoal só vem quando você ajuda os outros a crescerem também", explica.
Foi então que ela passou a fazer parte do projeto Oguntec, que acompanha 35 estudantes de escolas públicas a partir do momento em que eles entram no ensino médio até o vestibular.
A pesquisa apresentada por Sheila sobre o Oguntec foi a vencedora da categoria Graduado do 23º Prêmio Jovem Cientista, divulgada nesta quarta-feira pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq).
Como coordenadora pedagógica do projeto, Sheila conta que, além das disciplinas escolares cobradas no vestibular, os adolescentes de 16 a 21 anos têm aulas sobre consciência negra e educação científica a fim de despertar o interesse pela ciência e pelos cursos ligados à tecnologia, ciências da saúde.
"No ano passado, terminamos o ano com 25 estudantes, porque muitos foram obrigados a deixar o projeto ao longo do tempo. Mas todos os que permaneceram passaram em vestibulares em universidades particulares. O nosso objetivo agora é fazer com que eles entrem nas universidades públicas. Três deles conseguiram", conta.
Segundo ela, a maior dificuldade é suprir o déficit que os alunos trazem do ensino fundamenta
Eleições para o DCE - UFF
No início de novembro haverão as eleições para o DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFF. Nós do Acampamento Maria Júlia Braga: O Quilombo do Século XXI montamos uma chapa que vai atuar nessas eleições, notem bem, eu disse atuar e não concorrer. Essa diferenciação é importante, pois concorrer implica em você reconhecer que um processo eleitoral vai ser importante dentro do processo de mudanças políticas que você deseja ver ocorrerem na universidade. Não temos nenhum tipo de ilusão nesse sentido. É claro que se pode perguntar o porquê de participar de um processo eleitoral se não acreditamos nele, simples, esse é um momento em que as pessoas estão mais predispostas a participar de debates e esse é o nosso maior objetivo, tentar mostrar nesses debates o nosso projeto de universidade e sociedade. Foi sempre isso que nos motivou em todas as ações políticas de que participamos. Na eleição que ocorreu em 2006 nós participamos por entender que o acampamento precisa de um certo respaldo político num momento de incerteza em que ainda estávamos no início de nossa luta. Agora temos um respaldo muito maior por conta de todas as lutas políticas de que participamos, um reconhecimento político que não havia antes, até mesmo de muitos que nos criticam. Essas eleições podem proporcionar uma nova oportunidade de se fomentar um debate a respeito do tipo de universidade queremos e como será possível atingir esse objetivo.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Rescaldos da luta política no ICHF
Escrevo esse texto já sabendo do resultado do seminário que foi feito nos dois dias anteriores a respeito do plano de expansão do ICHF (Instituto de Ciências Humanas e Filosofia). No final foi aprovado o plano de expansão, a criação do curso de Antropologia, o que significa o início do fim do curso de Ciências Sociais na UFF, mas foi rejeitado o curso de Segurança Pública. Todas essas decisões vão ser levadas para o Colegiado que vai decidir hoje o que vai ser realmente aprovado. Da minha parte, enquanto membro de um movimento político, o Acampamento Maria Júlia Braga: O Quilombo do Século XXI, vejo que tudo isso vai ser utilizado para justificar a política de repactuação que foi promovida pela burocracia estudantil e pela Chapa Ocupação do CAHIS. Eu creio que o Colegiado deva referendar as decisões do seminário, pois estas em nada contestam o seu direito de dar a palavra final sobre decisões que vão decidir o destino do instituto. Ao longo das diversas Assembléias Comunitárias que foram feitas neste último mês, o que se viu foram disputas de concepções, um grupo acabou se pautando por acordos dentro da estrutura para dizer que se conseguiram avanços, se o diretor do instituto, o professor Palharini, conseguir vencer as resistências do grupo que quer implantar o curso de Segurança Pública, provavelmente a rejeição do curso vai ser utilizada como plataforma para justificar a repactuação que foi feita. Da nossa parte, enquanto acampamento, bem como os outros grupos e indivíduos que participaram dessa luta para contestar a própria estrutura de poder existente na universidade, o que houve foi uma pequena concessão que foi feita, um "anel" que se deu para que mantivesse os dedos. É claro que a burocracia estudantil e acadêmica vão usar isso como uma grande vitória do movimento. Não há como negar que ainda é muito predominante entre os estudantes a visão hierarquizada de uma universidade e uma sociedade com pessoas exercendo posição de mando enquanto outras se resignam a obedecer. A idéia da representatividade também é muito forte e segue definindo a maioria das posições. Nós do acampamento, bem como os outros grupos e indivíduos que defendemos uma universidade horizontalizada em seus fóruns de decisão temos a consciência que representamos uma posição minoritária, no entanto, as lutas políticas do último mês foram registradas e serão utilizadas num documentário que estamos fazendo. Vai ser muito importante ter esse registro, tanto para divulgação como para estudo. As lutas políticas que foram travadas nessa universidade durante o último mês devem servir de acúmulo para as novas lutas que virão daqui para frente e a preservação de uma memória sobre elas é de fundamental importância nesse sentido.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Seminário e outra discussão sobre o piquete
Daqui a pouco vai começar o seminário que o Colegiado do ICHF (Instituto de Ciências Humanas e Filosofia) da UFF preparou para diminuir a tensão vivida nas semanas anteriores, com dois piquetes, várias Assembléias Comunitárias e intervenções nas reuniões de Colegiado, para contestar, não só o projeto de expansão, mas também a própria estrutura de poder dentro da universidade. Esse seminário é uma clara tentativa de disfarçar ao máximo a estrutura medieval de decisões que ainda impera no ICHF em particular e na universidade em geral. A firme discussão sobre a legitimidade do Colegiado decidir o destino do instituto por todos os que o integram levou a essa discussão, uma concessão mínima, mas que deve agradar a diversos setores do movimento estudantil que ainda se pauta em estrutura hierarquizadas e sistemas representativos de decisão, que não se sente preparada para tomar as rédeas de decisões que afetarão o seu futuro. A luta política que pessoas como eu levou adiante durante semanas e que agora parece dessembocar num seminário paritário e apenas indicativo foi por uma discussão séria a respeito da estrutura de poder dentro da universidade. Não tínhamos nenhuma ilusão de mudar essa estrutura da noite para o dia, até porque essa mudança tem que começar de dentro das pessoas e a grande maioria ainda não está preparada para isso, ou simplesmente não quer mudar coisa alguma em sua vida, muito menos na universidade ou na sociedade. Segue abaixo um texto que escrevi sobre o último piquete e que postei na lista dos estudantes de História da UFF. Foi uma resposta minha a muitas das críticas feitas ao piquete.
Resolvi escrever para rebater algumas coisas que me deixam muito irritado em algumas pessoas que usam argumentos contra o piquete sem entrar no mérito de qual paradigma estão se baseando para isso. O que mais me irrita é ver professores que se dizem marxistas, anarquistas ou socialistas libertários usarem termos como "antidemocrático", "autoritário" ou que o piquete está "restringindo o direito de ir e vir das pessoas". Eu gostaria que essas pessoas tivessem a coragem de dizer qual o parâmetro que usam para usar esses argumentos, mas isso seria complicado de fazer e depois voltar a posar de marxistas em festas, reuniões de partido, seminários, ou nas salas, onde vão falar sobre luta de classes ou sobre socialismo. Vamos colocar as coisas nos seus devidos lugares: o piquete é antidemocrático e autoritário? Bom, se partirmos do paradigma da democracia liberal burguesa, do estado democrático de direito e das regras institucionais vige ntes, sim, o piquete é antidemocrático e autoritário mesmo, assim como foram também todas as ocupações de reitoria desde o ano passado até agora, isso é claro, não impediu que muitos dos que criticam o piquete assinassem manifestos em favor da ocupação da USP por exemplo. Pelo paradigma da democracia liberal burguesa, do estado democrático de direito e das regras institucionais vigentes, o piquete vai contra o direito de ir e vir das pessoas, assim como as ocupações de fazenda pelos Sem-terra vai contra o direito de propriedade, muito mais importante, hoje em dia com um ar quase sagrado, que o direito de ir e vir. É claro que isso não impede muitos dos que criticaram o piquete como autoritário e antidemocrático de apoiar integralmente as ações do MST. Durante o piquet a professora Cecília veio me dizer que o nosso ato era antidemocrático e eu disse a ela que um ato político, principalmente em que se prevê algum tipo de enfrentamento, não tem que ser democrático, e não tem mesmo, ou será mais democrático fazer uma passeata de rua onde se irá atrapalhar a vida de centenas de passageiros e motoristas? Será mais democrático fazer uma greve no serviço público que poderá prejudicar milhares de pessoas, algumas delas muito dependentes destes serviços. Isso, no entanto, não impede muitas das pessoas que criticaram o piquete de apoiar esses atos. O que mais me irrita em boa parte das pessoas que criticam o piquete é a falta de coerência em usar esses argumentos liberais, indo de encontro ao que normalmente dizem acreditar em matéria de ideologia, ao que escrevem e as posições que costumam assumir quando não é o calo delas que aperta. Apoiar o MST pode, desde que façam suas ocupações de terra bem longe, apoiar a ocupação da USP tudo bem, desde que o direito de ir e vir e a constestação da autoridade fique dentro dos muros de lá.
Resolvi escrever para rebater algumas coisas que me deixam muito irritado em algumas pessoas que usam argumentos contra o piquete sem entrar no mérito de qual paradigma estão se baseando para isso. O que mais me irrita é ver professores que se dizem marxistas, anarquistas ou socialistas libertários usarem termos como "antidemocrático", "autoritário" ou que o piquete está "restringindo o direito de ir e vir das pessoas". Eu gostaria que essas pessoas tivessem a coragem de dizer qual o parâmetro que usam para usar esses argumentos, mas isso seria complicado de fazer e depois voltar a posar de marxistas em festas, reuniões de partido, seminários, ou nas salas, onde vão falar sobre luta de classes ou sobre socialismo. Vamos colocar as coisas nos seus devidos lugares: o piquete é antidemocrático e autoritário? Bom, se partirmos do paradigma da democracia liberal burguesa, do estado democrático de direito e das regras institucionais vige ntes, sim, o piquete é antidemocrático e autoritário mesmo, assim como foram também todas as ocupações de reitoria desde o ano passado até agora, isso é claro, não impediu que muitos dos que criticam o piquete assinassem manifestos em favor da ocupação da USP por exemplo. Pelo paradigma da democracia liberal burguesa, do estado democrático de direito e das regras institucionais vigentes, o piquete vai contra o direito de ir e vir das pessoas, assim como as ocupações de fazenda pelos Sem-terra vai contra o direito de propriedade, muito mais importante, hoje em dia com um ar quase sagrado, que o direito de ir e vir. É claro que isso não impede muitos dos que criticaram o piquete como autoritário e antidemocrático de apoiar integralmente as ações do MST. Durante o piquet a professora Cecília veio me dizer que o nosso ato era antidemocrático e eu disse a ela que um ato político, principalmente em que se prevê algum tipo de enfrentamento, não tem que ser democrático, e não tem mesmo, ou será mais democrático fazer uma passeata de rua onde se irá atrapalhar a vida de centenas de passageiros e motoristas? Será mais democrático fazer uma greve no serviço público que poderá prejudicar milhares de pessoas, algumas delas muito dependentes destes serviços. Isso, no entanto, não impede muitas das pessoas que criticaram o piquete de apoiar esses atos. O que mais me irrita em boa parte das pessoas que criticam o piquete é a falta de coerência em usar esses argumentos liberais, indo de encontro ao que normalmente dizem acreditar em matéria de ideologia, ao que escrevem e as posições que costumam assumir quando não é o calo delas que aperta. Apoiar o MST pode, desde que façam suas ocupações de terra bem longe, apoiar a ocupação da USP tudo bem, desde que o direito de ir e vir e a constestação da autoridade fique dentro dos muros de lá.
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